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Estava em Coimbra um dos documentos mais antigos sobre a História de Lisboa

16 de Abril 2023 Jornal Campeão: Estava em Coimbra um dos documentos mais antigos sobre a História de Lisboa

João Pinho, historiador de Coimbra, entregou um pergaminho, datado de 1516, à Torre do Tombo, sobre a cidade de Lisboa.

No passado dia 4 de Abril o fundo documental da Torre do Tombo foi enriquecido com a entrega de um pergaminho, datado de 1516 (embora com elementos que retroagem a 1505), até à data na posse do espólio particular do investigador, historiador e empreendedor João Pinho, que vem promovendo diversos trabalhos na área da história local e regional desde o ano 2000, sendo autor de diversas monografias, em especial sobre as freguesias do Munícipio de Coimbra.

Também colaborador do grupo Mediacentro, onde assina artigos de opinião e trabalhos de investigação, sobretudo para os jornais “Campeão das Províncias” e “O Despertar”, esclareceu-nos sobre os contornos que envolveram aquela cedência:

“Na realidade, o documento foi-me legado, ainda em vida, por meu avô Marques da Costa, um autodidata, mas que tinha uma especial sensibilidade para tudo o que envolvesse documentos antigos. Via no livro, mais do que em qualquer outro material, um veículo de promoção da cultura. Daí que a entrega deste documento, em pergaminho, tivesse na época suscitado em mim alguma surpresa, pois saía fora da sua lógica de colecionador de coisas de antanho.

Sei que o adquiriu em alfarrabista amigo, embora já não conseguisse precisar onde e quando. Pouco depois do seu falecimento, em 2013, comecei a organizar o seu espólio, onde se encontram fotografias antigas da sua autoria pois montou um pequeno estúdio particular, bem como negativos, postais e até filmes.

Depois de organizar tudo aquilo que havia reunido interessei-me em particular por este pergaminho, que supunha, inicialmente, ser relativo à cidade de Coimbra ou região, o qual na verdade, depois de analisado e transcrito, revelou uma enorme surpresa: não era sobre a nossa Coimbra, mas sim sobre a cidade de Lisboa.

Com auxílio da Dr.ª Paula França, técnica superior do Arquivo Histórico Municipal de Coimbra, foi possível transcrever, integralmente, o seu conteúdo e perceber que se tratava de um documento de superior interesse para a História da Cidade de Lisboa, com a particularidade de se relacionar com uma parte pouco estudada da capital renascentista e moderna.

Estabelecido o contato formal com a DGLAB, nomeadamente, com o seu director Dr. Silvestre Lacerda, e em articulação com a técnica Catarina Guimarães, técnica superior de Arquivo e coordenadora do Gabinete de Salvaguarda do Património, foi demonstrado total interesse na aquisição do documento – o que se veio a concretizar de forma simbólica, mediante celebração específica de protocolo entre as partes.

O documento, de grandes dimensões, data de 14/07/1516 e foi rubricado no Hospital de Todos os Santos. Trata-se de uma carta de emprazamento a Joam Chanoquoa, sua mulher e herdeiros, de um chão grande que fôra olival, pertença do Hospital de S. Mateus, freguesia de Santa Justa. Mais se acrescentava, entre múltiplos pormenores, que o chão se situava à porta de S. Vicente de Fora e voltado para o Mosteiro de S. Domingos. Por outro lado, o emprazamento é feito com a condição dos foreiros construírem casas nos ditos terrenos, o que desde logo revela intuitos de povoamento.

Feita a entrega do documento aguarda-se agora que o mesmo seja descrito e tratado do ponto de vista arquivístico, tendo em vista a sua disposição ao público em geral, e aos estudiosos olissiponenses, em particular”,