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Hernâni Caniço

A remuneração é a chave do trabalho?

14 de Abril 2023

A remuneração ou o salário é o pagamento de um trabalho, constituindo uma retribuição por um serviço, sendo que a remuneração e o rendimento são elementos fundamentais para as relações de trabalho digno e para a qualidade de vida.

Reflectimos sobre as remunerações que se verificam de forma diversa, estar satisfeito com a sua remuneração que considere adequada ao seu valor, o acto de acumular mais trabalhos e empregos para ter melhor remuneração, não ter preocupação com o valor recebido da remuneração, assegurar a sustentabilidade e da família, ou garantir remuneração avultada por gosto.

Estar satisfeito com a sua remuneração, que considere adequada ao seu valor, pode ser importante, por ser sustentáculo dos seus objectivos pessoais, familiares e sociais, e por proporcionar a qualidade de vida e inserção na sociedade que ele pretende. Ou pode ser considerada pouco importante, por a sua remuneração não prover os seus objetivos reais ou considerados como tal, provocando-lhe stress, por ser contributo para acidentes por perda de racionalidade, ou por haver um sentimento de revolta e tipo de vida desestruturado no quadro da relação e da participação coletiva.

O acto de acumular mais trabalhos e empregos para ter melhor remuneração (mais trabalhar para mais ganhar), pode ser importante, por ser um estímulo para rentabilizar e ultrapassar as suas próprias capacidades, por gerar a criatividade e diversidade nas suas funções, ou por ter usufruto compensatório e estabilidade. Ou pode ser julgado pouco importante, por representar um sentido de apropriação de bens, considerados necessários ou supérfluos, que liberte o egocentrismo, por provocar perda de saúde física e mental e por reduzir o conciliábulo familiar.

Pode ser sentido como importante, não ter preocupação com o valor da remuneração necessária e suficiente que aufere, para ter fruição de um padrão de vida e dispensar estímulos stressores. Ou pode ser ajuizado pouco importante, reflectir e ponderar sobre a remuneração adquirida, por desmotivação em valores económicos e estatuto superior, por outras incumbências de formação e de trabalho não remunerado ou por dar prioridade ao lazer, à acção cultural e ao bem-estar físico e mental.

Assegurar a sustentabilidade e da família, através da remuneração, pode ser tido como importante, por ser uma concepção prioritária e suprema, em quadro de valores, relação e estabilidade familiar. Ou pode ser analisado como pouco importante, por representar um quadro com baixa auto-estima e auto-imagem, considerar o “salve-se quem puder” em apatia e por isso “laissez faire, laissez passer”, ou até por disfunção familiar e pré-rotura em quebra de solidariedade grupal.

Pode ser calculado como importante, garantir remuneração avultada por gosto e adquirir e fazer o que não se necessita, por apreciação pessoal, por status de poder e usufruto de bens, por oportunidade de aquisição ou promoção do desejo hiperativo e egoísmo. Ou pode ser cogitado como pouco importante, por falta de incentivo ou de ocasião, por limitar a sua disponibilidade pessoal, por ter reduzido sentimento de posse ou por perturbar o equilíbrio adquirido essencial.

A remuneração será sempre uma fonte de debate, muitas vezes antagónico, de aspiração ou de relativização, de reivindicação ou de desprendimento, de atração ou de ambição, de poder ou de ilusão. Os ricos que paguem a crise ou a competitividade em questão.

(*) Médico