Carlos Lopes é licenciado em Geografia e possui uma pós-graduação em Ordenamento e Desenvolvimento do Território, ambas obtidas na Universidade de Coimbra. Actualmente, é vereador em regime de permanência, responsável pelos pelouros do Desporto, Ambiente, Clima, Energia e Sustentabilidade, Juventude, Protecção Civil, Bombeiros, Orçamento Participativo e Associativismo Desportivo e Juvenil. Além disso, é um atleta federado na modalidade de Remo da Secção de Desportos Náuticos da Associação Académica de Coimbra. Também ocupou o cargo de presidente da Junta de Freguesia de Almedina, em Coimbra, entre 2009 e 2013 e foi presidente da Concelhia de Coimbra do PSD, de 2019 a 2021.
Este mês realizou-se a Gala do Desporto e foram centenas os distinguidos. Como correu?
Correu muito bem, foram entregues cerca de 300 prémios a atletas e clubes de várias modalidades desportivas individuais e colectivas. Quisemos homenagear os atletas campeões nacionais e vencedores de provas internacionais, não esquecendo as equipas que se têm revelado pela excelência dos seus resultados e pelo seu profissionalismo. É isso que ambicionamos, queremos em Coimbra equipas cada vez mais capazes de competir com os melhores e é esse o caminho que temos definido. O número de atletas homenageados é a prova de que os nossos Clubes e Associações estão a fazer um trabalho meritório.
Que apoios têm sido dados?
Em tempos de crise, a criatividade é essencial, e temos procurado ser inventivos para maximizar os recursos disponíveis. Recentemente, aprovamos diversos apoios em reunião de Câmara, num valor total de cerca de 15.000 euros, para diversas iniciativas que serão realizadas nos próximos 2 meses. Estamos a fazer verdadeiros milagres e a trabalhar arduamente para continuar a atrair eventos desportivos de qualidade. Temos tido grande apoio e compreensão das federações nacionais que desejam vir e permanecer em Coimbra. Isso tem garantido que mesmo em tempos difíceis, somos capazes de trazer bons eventos para a cidade, e temos tido sucesso nessa empreitada.
Que provas desportivas de grande nível vamos ter em Coimbra?
Vamos ter várias, algumas que já se podem anunciar e outras que estão na calha. Na próxima semana, vamos ter em Coimbra a Taça de Portugal de Tripulações de Fundo, estando já confirmados mais de mil atletas a competir nesta prova, e será um momento espectacular para Coimbra. A prova contará com a presença de Fernando Pimenta, o atleta mais medalhado internacionalmente de Portugal e que acabou de conquistar o título nacional, pela 15.ª vez, no último fim-de-semana em Mirandela. Será um privilégio receber um atleta tão consagrado na nossa cidade.
Quanto ao rally, teremos a Partida em Coimbra, e embora não tenhamos a Super Especial, sentimos regozijo que a mesma se vá realizar na Região. Coimbra não tinha condições este ano. Realizámos a Super Especial em Coimbra pela primeira vez, com um grau de espectacularidade enorme que ficou na memória colectiva. É isso que queremos, criar e receber eventos que fiquem na memória das pessoas.
A regionalização é solução para o país?
Nós já temos mecanismos para descentralizar efectivamente, mas não estamos a saber aproveitá-los adequadamente. Os municípios estão a assumir responsabilidades, mas não recebem os meios necessários para as cumprir adequadamente. Não conseguimos definir um caminho claro, pois alternamos entre acabar com ou criar freguesias e conceder ou retirar competências das câmaras municipais. Isto não é uma questão partidária, mas sim um problema transversal à sociedade portuguesa e ao seu sistema político.
Coimbra está no bom caminho quanto a metas ambientais? O que tem a dizer sobre a polémica dos abates das árvores?
A questão das árvores não é gerida no âmbito dos meus pelouros. No entanto, qualquer pessoa minimamente formada e informada é contra o abate de árvores. Estamos perante uma questão de optimizarmos e minimizarmos os estragos, atendendo às obrigações já contratualizadas pelas empresas responsáveis pelos projectos. Temos de criar mecanismos de compensação. Foi apresentado nos últimos dias o plano municipal de arborização. Este ano não conseguimos cumprir com a plantação de árvores que estavam previstas, mas a intenção é duplicar a plantação e no final deste ano, voltaremos a fazer as contas e ver se conseguimos cumprir com esse objectivo. A ideia é por cada árvore abatida, plantar três.
Em relação às metas ambientais, destaco que a cidade de Coimbra tem um plano municipal de adaptação às alterações climáticas, que será revisto para se adaptar às mudanças que vão acontecendo nomeadamente a existência de uma nova Lei de Bases do Clima que obriga a ter um Plano de Acção para o Clima até final de 2024. Esta iniciativa permitirá ir ao encontro das próprias metas europeias e atingir os indicadores de média da União Europeia até 2035. O plano de ação climática vai incidir sobre diversos domínios, nomeadamente na área da eficiência energética. Neste contexto, desenvolvemos também um referencial para a eficiência energética. Este plano, que vai estar em discussão pública durante 30 dias, inclui várias medidas para melhorar a eficiência energética. São estes pequenos passos que depois nos vão ajudar a criar o melhor plano possível para atingirmos os objectivos.
O envelhecimento da região e as questões da habitação são preocupações do Executivo?
É claro que é uma preocupação para o Executivo, mas temos de olhar para estas questões com a transversalidade que elas têm. Obviamente que quando falamos do problema da habitação que enfrentamos, a solução não pode passar só por injetar milhões do PRR e construir, porque de facto, os problemas que nós, por exemplo, observamos numa cidade como a Amadora não são necessariamente iguais aos problemas de Coimbra. Cada cidade tem os seus problemas específicos e têm de ser pensadas soluções para cada uma especificamente.
Mas Coimbra tem tido sérios problemas relativamente à habitação para estudantes?
Isto está relacionado com a problemática da habitação e que em Coimbra é muito específico. As grandes cidades têm casas de estudantes, residências universitárias, mas não são propriamente repúblicas, nem têm uma história como a de Coimbra. Claro que este é um problema a que estamos atentos. Os anos vão passando, os edifícios vão-se degradando. Não faz sentido o poder central anunciar que ira construir residências universitárias e deixar desaparecer centenas de camas. Claro que também temos a obrigação de estar atentos e tentar arranjar soluções. No último Conselho Municipal de Juventude tivemos a oportunidade de criar um grupo de trabalho para acompanhar esta matéria. O presidente da Câmara, bem como todo o executivo do qual faço parte, está empenhado em encontrar soluções aos mais variados níveis, estando-se a criar uma task force que englobe todos os interessados para junto do poder central se encontrar uma solução. Estamos a falar de espaços históricos e emblemáticos há muito inseridos na área de protecção do património imaterial da humanidade e obviamente que ninguém está interessado em que as repúblicas acabem. Estamos todos interessados, isso sim, em criar mecanismo e condições que dignifiquem estes espaços únicos e de relevante interesse municipal.
Tem sido um dos mais visados pela oposição socialista na Câmara. Têm razão para isso?
Não vejo as coisas dessa forma. As minhas áreas de actuação têm despertado mais interesse e penso que as críticas têm sido construtivas, representando apenas diferentes pontos de vista. Os vereadores da Oposição são pessoas que naturalmente respeito, pessoal e politicamente. Portanto, encaro essas críticas com normalidade.
Como está a correr a liderança da coligação “Juntos Somos Coimbra”?
A coligação tem um ano e meio de mandato. É nossa obrigação procurar soluções para resolver os problemas concretos das pessoas. Foi para isso que fomos eleitos. É isso que a coligação está a fazer, ultrapassando e resolvendo muitos problemas herdados, arrumando a casa, e preparando o futuro que prometemos e queremos para os nossos munícipes. Obviamente com altos e baixos, como qualquer empresa ou qualquer família, mas o importante é que no final deste caminho os nossos munícipes tenham melhores condições do que tinham e que nós, à nossa escala, tenhamos contribuído para isso.
Luís Santos/ Joana Alvim