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Semanário no Papel - Diário Online

 

António Gonçalves Silva

Quo vadis, Ecclesia?

24 de Março 2023

A Instituição Igreja Católica desempenhou, continua a desempenhar, ao longo dos Séculos, relevante papel social, sendo o exemplo mais visível as Misericórdias, regidas pelo Direito Civil e também pelo Direito Canónico.

No plano da educação, é igualmente relevante a acção da Igreja, a qual gere seminários, colégios e a prestigiada Universidade Católica, que tive o privilégio de frequentar.

Acontecimentos registados pela História – apesar desta ser frágil, parcial e relativa, como bem referiu Vitorino Magalhães Godinho – revelam acções sombrias como as Cruzadas, os trezentos anos da Inquisição e os “autos de fé”, a íntima ligação ao poder absoluto antes do liberalismo, a proximidade com regimes totalitários (em Portugal era a ligação do Cardeal Cerejeira a Salazar).

O apóstolo João Paulo II, de boa memória, que doutrinou e apoiou o fim da cortina de ferro, pediu desculpa ao Mundo e penitenciou-se pelos crimes praticados.

Uma organização deste teor – de inspiração mas terrena – que comporta uma grande quantidade de representantes, não é isenta de actuações que ela própria designa de pecado. Tratando-se de crimes de pedófilia e pederastia, cuja gravidade o Direito Canónico e o Direito Civil sancionam, urge encontrar os responsáveis e proteger as vítimas.

O Papa Francisco, que o Mundo muito aprecia, pediu publicamente desculpa por aquilo que definiu e salientou como “vergonha”, referindo-se aos crimes no seio da Igreja.

Importante é evitar uma caça às bruxas, que lamentavelmente alguma comunicação social vem propagando.

Os tempos que vivemos são de sofrimento e caos para milhões de pessoas. A Igreja prossegue na sua acção de ajuda aos mais necessitados. A sua acção é importante, como sempre foi. Reconhecida.

À Justiça o que é da Justiça.

(*) Jurista