A reunião de lançamento do projecto “Aldeias Bauhaus para o Futuro” decorreu, ontem (20), em Dornelas do Zêzere e vai dar origem a intervenções de inovação territorial em seis aldeias de seis municípios de Portugal e Espanha, envolvendo as regiões Centro, Alentejo e Extremadura (euroregião EUROACE).
Na intervenção que marcou o arranque dos trabalhos, o presidente da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra, Jorge Custódio, manifestou que este projecto “pode vir a fazer a diferença” nos territórios abrangidos, em particular em concelhos como Pampilhosa da Serra, que tem mais de 100 aldeias.
“Temos muitos fóruns para discutir o futuro das cidades, mas poucos para discutir o futuro das aldeias”, considerou.
Neste primeiro encontro, que juntou municípios e parceiros – CCDR Centro, CCDR Alentejo e a Junta da Extremadura –, o objectivo passou pela apreciação e validação da proposta de Programa de Assistência Técnica sugerida pela União Europeia. Num grupo com “interesses comuns, mas realidades distintas”, Rui Simão, vereador da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra, destacou que em causa está uma abordagem que será “simultaneamente dinamizadora ao nível da intervenção urbanística, mas também dinamizadora ao nível social”.
A ideia matriz que esteve na base da candidatura, distinguida em Julho deste ano pelo novo Bauhaus Europeu e que foi liderada por Pampilhosa da Serra, assenta em aproveitar as incontestáveis potencialidades das aldeias, em geral, e em particular das envolvidas no projecto (Corval, Sortelha, Esperança, Dornelas do Zêzere, Llerena e Moraleja), tornando-as lugares de eleição para visitar, viver e investir, sem descurar a sua essência.
Para o vice-presidente da CCDR Centro, Eduardo Anselmo, é fundamental que algumas regiões do Interior de Portugal e Espanha, “consigam reverter o processo de declínio que dura há mais de 100 anos”, considerando que este projecto deve ser encarado com um “objectivo experimental” que, caso tenha sucesso, “poderá ser um exemplo para outras aldeias também se revitalizarem”. Para esse efeito, Eduardo Anselmo, sugeriu ainda que é necessário o apoio governamental, “de várias escalas”, mas também de investidores, que permita trazer empresas e pessoas em simultâneo.
As “Aldeias Bauhaus para o Futuro” querem por isso mostrar que é possível criar melhores condições para quem está e, com isso, estimular a curiosidade de quem vem. No caso de Dornelas do Zêzere, explicou Rui Simão, a intervenção “vai focar-se na zona ribeirinha, espaço do mercado e Jardim das Nogueiras, procurando aplicar os princípios da regeneração urbana sustentável e ligada às memórias que aldeia tem com o rio”. Desde o primeiro momento, o projecto vai ainda “envolver a comunidade educativa, a gestão das expectativas da população, os seniores, não se esgotando na intervenção urbanística pura e dura”, frisou o vereador.
A próxima fase do projecto passa pela implementação do programa de assistência técnica, com a visita dos peritos da União Europeia a cada uma das aldeias que integra o projecto.
No final da primeira sessão de trabalho, Rui Simão expressou que foi perceptível o “entusiasmo e confiança” de uma equipa que será capaz de se “entregar ao desafio”, pelo que cresce a expectativa de perceber o que será possível fazer “cada um por si e em conjunto”.