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Coimbra já prepara segurança para Maio de 2023

16 de Outubro 2022 Jornal Campeão: Coimbra já prepara segurança para Maio de 2023

Após dois anos de pandemia, com a reabertura dos estabelecimentos e regresso em força de eventos culturais e desportivos, além de uma maior movimentação nas zonas de diversão nocturna de Coimbra, o tema “(in)segurança” volta a estar na ordem do dia. A Rádio Regional do Centro (RRC), na rubrica semanal onde são debatidos temas da actualidade, promoveu um debate sobre o assunto. Para isso, além do habitual comentador da rubrica, Luís Santarino, a RRC recebeu nos estúdios Assunção Ataíde, presidente da Associação para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC) e o subintendente da PSP de Coimbra, Fernando Santos.

Direccionando o tema para as festas académicas na cidade, Fernando Santos congratulou-se pelo sucesso do trabalho feito no dias da Latada e Imposição das Insígnias deste ano, nomeadamente quanto ao dia da Serenata. “Não há grande alteração em termos de dispositivo. Foi analisado o que foi utilizado em edições anteriores e feito, mais ou menos, algo idêntico. Tivemos uma intervenção forte na noite da Serenata, que tem o seu dispositivo de trânsito para evitar que haja ocupação do espaço onde decorre, e tivemos um dispositivo de ordem pública para fazer face a alguma eventual alteração decorrente da enorme ocupação daquele espaço que felizmente não aconteceu”. O subintendente aproveitou para esclarecer que qualquer dispositivo de segurança tem duas vertentes: a security – tem a ver com a segurança em termos policiais, a prevenção de alteração da ordem publica – e a safety – inclui outros parceiros relevantes e tem a ver, sobretudo, com entidades que integram a Protecção Civil.

“PROBLEMAS” DE SEGURANÇA
DA QUEIMA DAS FITAS

Os dois maiores “problemas” da Queima das Fitas para a PSP, segundo Fernando Santos, são, por um lado, a passagem do cortejo na rampa da Praça 8 de Maio, propícia a acidentes e, por outro, a realização da Serenata na Sé Velha pela carência que esta zona tem de vias de escapatória e a dificuldade de acesso dos meios de socorro, caso estes sejam necessários. A Sé Nova seria, à semelhança do que aconteceu na última edição desta festa académica, uma boa opção porque tem “duas avenidas largas, uma de cada lado, que podem ser escapatórias”, sublinha. Já Assunção Ataíde começou, desde logo, por dizer que não “alinha em dizer que a Baixa é insegura”, argumentando: “torna-se insegura porque, a partir das 18h30, fica sem os habitantes ditos «normais», ficando com as pessoas problemáticas e tornando-se um pouco inóspita com pessoas que nos transmitem alguma insegurança”.

A presidente da APBC tem, por diversas vezes, apelado aos comerciantes desta zona da cidade para darem continuidade a algumas medidas que poderão ajudar ao aumento da segurança no Centro Histórico, nomeadamente o prolongamento dos horários e a realização de actividades ao final do dia, aproveitando para desvendar a iniciativa da APBC que preconizará, em breve, a exposição de “fotografias gigantes, de pessoas famosas e reconhecidas na cidade, que vivem no Ingote, para desmistificar a ideia que lá só vive gente problemática ou de poucas posses”, conclui.

DESCENTRALIZAÇÃO DE
ASSOCIAÇÕES DA BAIXA

“Houve a fuga, ao tirarem a habitação para o Ingote, de toda a dinâmica da vida dita normal e agora quem esta na Baixa é quem faz o tráfico e quem beneficia da alimentação das associações”, afirma Assunção Ataíde, acrescentando que é defensora da descentralização das mesmas, medida que é também defendida pelo actual presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva.

“Eu trabalho há 43 anos com meninos com deficiência e quando quero inclui-los não os meto ao lado de 20 ou 30 como eles mas sim em grupos ditos «normais». Coimbra é uma cidade acolhedora para estas pessoas, a maioria nem são de cá, mas que o façamos de forma inclusiva e isso não é chamá-los todos para a Baixa”, conclui.

Ambos os convidados consideram que a Baixa não é uma zona assim tão insegura. Assunção Ataíde diz mesmo que há zonas da cidade que o são muito mais mas cuja mediatização é menor. Já Fernando Santos corrobora da opinião de que “a Baixa sofreu uma descaracterização em termos residenciais nos últimos anos além de que, paralelamente, houve uma crise das dinâmicas económicas” e que a “segurança na Baixa tem de ser vista na perspectiva holística: é necessário envolvimento de outras entidades – a Câmara, as Juntas de Freguesia e outras instituições.

Tenho esperança também que a requalificação da degradação urbanística possa trazer efeito positivo em termos de segurança”, enaltece.

MEDIDAS DA PSP

O subintentedente sublinha ainda que a PSP está sensível à posição das pessoas que se sentem inseguras na Baixa da cidade e realça o programa implementado – “Policiamento de Proximidade”, onde os polícias faziam o seu trabalho normalmente sempre no mesmo bairro, havendo interacção com as pessoas -, além de estarem a unir esforços no sentido de um maior números de acções de visibilidade. “Gostávamos de ter mais pessoas dedicadas ao programa «Comércio Se- guro» mas os nossos meios são finitos e temos de os gerir em função do interesse dos cidadãos”, argumenta. Fernando Santos lembra que há também a sensibilidade da PSP e da autarquia de Coimbra quanto ao reforço do sistema de videovigilância: “Temos um sistema de videovigilância já instalado em Coimbra há alguns anos, foi reforçado com o aumento de número de câmaras instaladas”.

Em Maio do próximo ano, espera-se um grande desafio para a PSP, e restantes entidades envolvidas, com a realização de três eventos que trarão milhares de pessoas à cidade: a Queima das Fitas, quatro concertos dos Coldplay e uma prova do Rally de Portugal. O desafio é grande mas não é intimidante, segundo Fernando Santos: “Estamos a trabalhar nisso – no caso da Queima das Fitas já desde a última edição – de acordo com a informação de que dispomos, e a fazer já o nosso «caderno de encargos».

Perpectiva-se que os três eventos coincidam, mas já temos alguma experiência do passado: tivemos o concerto do Bocelli, a Super Especial do Rally já este ano, há uns anos atrás tivemos os U2 e tivemos cá a Madonna com 60 mil pessoas a assistir. Portanto, estamos a avaliar os riscos desses eventos e a preparar os meios que são necessários para os mitigar e prevenir, sendo que, obviamente, a PSP não terá todos os meios para lhes fazer frente, mas será, mais uma vez, uma conjugação de esforços”.
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“SEGURANÇA URBANA” NO CONVENTO DE SÃO FRANCISCO

A Câmara Municipal de Coimbra está a colaborar com o Ministério da Administração Interna para a realização de um conjunto de eventos denominado “Conferências de Coimbra”, no Convento São Francisco (CSF). Já ao abrigo deste protocolo, está agendada para os dias 18 e a 19 de Outubro, no CSF, a primeira conferência do ciclo com o tema “Segurança Urbana | Os Municípios e a Protecção do Espaço Público”.

Segundo a minuta de protocolo aprovada, as “«Conferências de Coimbra» são um espaço de partilha de conhecimentos entre as forças e serviços de segurança do Ministério da Administração Interna e as autarquias locais, no âmbito de diversas temáticas associadas à Segurança Urbana”. No documento é ainda reiterada a importância de concretização das conferências em Coimbra, “dando enfoque às políticas municipais em matéria de segurança e, muito especificamente, em matérias de Segurança Urbana, contribuindo sobremaneira para as políticas de Segurança Interna”.

Nádia Moura

»» [Artigo da edição impressa do “Campeão” de 13/10/2022]