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Alunos brasileiros vão acompanhar cortejo da Latada com manifestação de protesto

9 de Outubro 2022 Jornal Campeão: Alunos brasileiros vão acompanhar cortejo da Latada com manifestação de protesto

Vários estudantes universitários brasileiros a estudar em Coimbra vão protestar, esta tarde (9), contra os cortes que o governo de Bolsonaro anunciou para a Educação, acompanhando com cartazes reivindicativos o tradicional cortejo das latas. O presidente da Associação de Estudantes Brasileiros de Coimbra, Felippe Vaz, explicou que o protesto está a ser organizado por vários grupos independentes de estudantes brasileiros, que frequentam o ensino superior na cidade conimbricense.
“Vão participar alunos da nossa associação, mas também estudantes de diferentes grupos organizados, entre os quais o Grupo de Estudos Brasileiros Maria Quitéria e o Vozes da Democracia. Estão já mobilizados cerca de 50 estudantes, mas contamos com a participação espontânea de mais”, informou.
O protesto está agendado para as 14h00, arrancando do Largo D. Dinis com o cortejo das latas. “Queremos mostrar o nosso descontentamento perante as recentes políticas do governo brasileiro, com cortes de verbas que já estavam destinadas à educação. É um governo pautado pela inconsistência e desvalorização da ciência, o que nos prejudica directamente aqui como estudantes brasileiros, mesmo estando fora do Brasil”, sustentou. O representante dos estudantes universitários brasileiros esclareceu ainda que decidiram juntar o seu protesto ao cortejo da latada por entenderem que se trata de um momento conhecido pelas suas reivindicações estudantis.
“A Associação Académica de Coimbra leva reivindicações nacionais e achámos válido levar também esta perspectiva internacional, já que a Universidade de Coimbra é a universidade que abriga o maior número de estudantes brasileiros fora do Brasil”, sublinhou.
Estão a ser preparados alguns cartazes reivindicativos onde, para além de assinalarem o seu descontentamento perante os cortes que o governo de Bolsonaro anunciou para a Educação, aludem também ao valor da propina internacional, que “é 10 vezes mais alta [sete mil euros anuais] que a de um estudante nacional na Universidade de Coimbra”.
“Já tentámos conversar com a Reitoria da Universidade de Coimbra, para tentar sectorizar a propina de acordo com custo do estudante em cada faculdade, mas, apesar da abertura, a resposta tem sido muito lenta”, alegou.
Na lista de reivindicações figura também o pedido de “apoio social para os estudantes internacionais, que estão impedidos de ter apoio social directo por questões governamentais”.
Segundo o presidente da Associação de Estudantes Brasileiros de Coimbra, frequentavam a Universidade de Coimbra, no último ano lectivo, cerca de 2.500 alunos brasileiros. “Este ano sabemos que o número aumentou, embora ainda não tenhamos um número mais exacto”, concluiu.