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Desenhos inéditos do Jardim Botânico de Coimbra revelados em catálogo

4 de Outubro 2022 Jornal Campeão: Desenhos inéditos do Jardim Botânico de Coimbra revelados em catálogo

Foram descobertos no final do ano passado, num sótão, desenhos inéditos do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (UC), abrangendo um período de 200 anos, e que são revelados, a partir desta terça-feira (4), num catálogo digital.
Este, em formato e-book, produzido pelo Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia disponibiliza a colecção de 40 desenhos, 35 dos quais inéditos, que mostram um novo olhar sobre o processo de construção do Jardim Botânico, no ano em que se celebram os 250 anos da reforma pombalina da UC.
“Vários rolos mal-acondicionados e com muito pó, dispostos em prateleiras no extremo do depósito da biblioteca de botânica (no sótão do edifício de S. Bento), chamaram a nossa atenção. Desenrolados com todo o cuidado, foram revelando, um após outro e perante a nossa surpresa e alegria, desenhos para nós desconhecidos e de notória antiguidade”, contou a responsável pelo arquivo do DCV, Ana Margarida Dias da Silva. Segundo disse, depois de uma limpeza superficial, “um olhar mais atento revelou plantas do Jardim Botânico, bem como plantas e alçados de muros, escadarias, gradeamentos e estufas”.
“Intuímos do seu interesse, mas era urgente investigar datas, autorias, descobrir como tinham ido ali parar e, acima de tudo, se eram, realmente, inéditos”, recordou.
A consulta às obras de referência sobre o Jardim Botânico e sobre a reforma pombalina da Universidade de Coimbra levou a concluir que, “além dos cinco desenhos do Jardim Botânico pertencentes ao DCV e já conhecidos, não existia nenhuma referência aos desenhos descobertos”.
Ana Margarida Dias da Silva explicou que a colecção agora tornada pública, que conta com nomes como Macomboa, José do Couto, Neves e Mello e Cottinelli Telmo, mostra “as soluções arquitectónicas projectadas e as realizadas, no diálogo entre as componentes artística e científica”.
O objectivo é o de que a colecção “contribua para o melhor conhecimento e novas leituras sobre o que foi idealizado e/ou projectado, o que foi aprovado e o que foi, efectivamente, construído”, moldando o Jardim Botânico como hoje é conhecido: “simultaneamente espaço de ciência, colecção biológica e um espaço emblemático da universidade e da cidade de Coimbra”.
Os desenhos descobertos terão sido “documentos de trabalho com anotações a lápis, que mostram hesitações e alterações” e que ficavam guardados na “gaveta do jardineiro”.
Segundo a especialista, “alguns desses desenhos avulsos são reveladores de projectos nunca concretizados ou muito modificados na sua execução”, sendo que “o carácter utilitário destas peças desenhadas poderia ter ditado a sua eliminação, finda a concretização da obra ou a rejeição do projecto”.
O director do DCV, Miguel Pardal, disse que, atendendo ao “valor e importância da colecção”, foi assumido, “desde o primeiro momento, o financiamento do restauro e da digitalização dos desenhos, de forma a garantir a sua preservação e disponibilização para estudos futuros”.
O “Catálogo dos desenhos do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. Colecção do Departamento de Ciências da Vida (séculos XVIII a XX)” reúne todos os desenhos pertencentes ao DCV, incluindo os cinco já conhecidos e os 35 inéditos. Trata-se de três desenhos do século XVIII, 27 do século XIX e 10 do século XX.
As autoras da obra, Ana Margarida Dias da Silva e Maria Teresa Gonçalves, também pretendem disponibilizar online, em acesso aberto, fontes iconográficas essenciais para o estudo da construção e das soluções arquitectónicas escolhidas para o Jardim Botânico.