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Encontros Internacionais de Jazz regressam hoje a Coimbra para 20.ª edição

22 de Setembro 2022 Jornal Campeão: Encontros Internacionais de Jazz regressam hoje a Coimbra para 20.ª edição

O Festival Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz conta, este ano, com a sua 20.ª edição, que se realiza entre hoje (22) e 23 de Outubro. O Festival vai decorrer em vários espaços da cidade, nomeadamente Casa das Artes Bissaya Barreto, Convento São Francisco, antigas instalações da Coimbra Editora, Museu Nacional Machado de Castro, Salão Brazil, Seminário Maior e Teatro Académico de Gil Vicente. Como habitualmente, é co-organizado pela associação sem fins lucrativos Jazz ao Centro Clube e pela Câmara Municipal de Coimbra.
Para José Miguel Pereira, director artístico do Festival, esta 20.ª edição “sintetiza na perfeição o percurso iniciado em 2003 e assenta no compromisso de divulgar, em simultâneo, a riqueza da tradição e os muitos caminhos do futuro, abrindo portas à experimentação e ao cruzamento de novas abordagens musicais”. Um dos principais factores distintivos do Festival é a vincada aposta na criação artística, tendo já sido editados mais de duas dezenas de discos gravados no seu âmbito. Igualmente importante é o” não permanecer somente nos espaços convencionais de apresentação de concertos, promovendo a (re)descoberta de espaços singulares da cidade tanto como o encontro com novas sonoridades”.
Para o Presidente da Câmara, José Manuel Silva, presente na sessão de apresentação do Festival, na quarta-feira (14), a longevidade e qualidade artística deste Festival “reflecte bem o trabalho estruturante que a JACC tem desenvolvido dentro e fora de Coimbra, numa atitude de valorização e promoção dos criadores locais, mas também de exploração de redes alargadas no mundo do jazz”.
O Município de Coimbra pretende continuar a apoiar este evento-âncora, que se mostra estratégico para o panorama cultural de Coimbra, contribuindo para que o mesmo tenha uma escala e um impacto cada vez maiores.

 

8 dias, 7 salas

A inaugurar o Festival, vai haver, esta noite (22), um concerto do brasileiro Rodrigo Brandão com a Sun Ra Arkestra, um “dos grupos incontornáveis da história do jazz”, activo desde a década de 1950. Em palco vão estar alguns elementos do grupo fundado por Sun Ra e músicos da cena portuguesa do jazz improvisado, como Rodrigo Amado ou João Valinho. Segue-se o músico britânico Alabaster Deplume (no sábado), a flautista americana Nicole Mitchell (5 de Outubro) e o trompetista Ambrose Akinmusire (22 de Outubro).
Ainda no plano internacional, o Festival vai ainda acolher concertos de dois artistas “centrais na história do jazz europeu” – o alemão Peter Brotzmann e a britânica Heather Leigh – que vão apresentar-se a solo e em duo, este último concerto a ter lugar na antiga Coimbra Editora, espaço da Baixa de Coimbra, que irá acolher no futuro a sede da tecnológica Critical Software.
De destacar também é o concerto de Maria João e Carlos Bica, no Convento São Francisco, a 21 de Outubro, numa primeira apresentação de um disco que irá sair ainda este ano, com a chancela da editora JACC Records. Não só de grandes nomes se faz um festival e neste haverá ainda espaço para concertos de jovens músicos de jazz de Coimbra, como é o caso da cantora Leonor Arnaut, que estará em residência artística com João Carreiro e João Pereira, e do baterista Diogo Alexandre, que apresenta o seu disco de estreia. O Festival termina no dia 23 de Outubro, com um concerto da banda sinfónica da Filarmónica União Taveirense com o pianista de jazz Mário Laginha.

 

Visão para o futuro

Para José Miguel Pereira, esta edição, que conta com um orçamento de 50 mil euros, representa um aumento face a anos anteriores, esperando ser o início de um “salto dado de forma sustentada” por parte do Festival.
O chefe de divisão de Cultura da Câmara de Coimbra, Paulo Pires, realçou que “este é um evento sem preconceitos, com uma visão democrática, lúcida e desempoeirada do jazz em Portugal”, realçando e enaltecendo, ainda, o trabalho do JACC no apoio à criação e ao facto de a sua actividade não se encerrar no território de Coimbra.
Por seu turno, José Manuel Silva, presidente da Câmara de Coimbra, sublinhou que o Encontros Internacionais de Jazz “é um evento muito importante” para o município, permitindo “levar o jazz, a música e a cultura a vários espaços da cidade”. Paulo Pires conclui com a ideia de que o Salão Brazil, espaço municipal gerido pela JACC, necessita de um bom investimento, esperando que “no próximo quadro comunitário seja possível angariar financiamento para tal”.