Coimbra  15 de Março de 2026 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Estudo da UC avalia a quantidade de mercúrio que o organismo consegue digerir

19 de Setembro 2022 Jornal Campeão: Estudo da UC avalia a quantidade de mercúrio que o organismo consegue digerir

Um estudo publicado na revista “Marine Pollution Bulletin” referiu a necessidade da criação de uma metodologia universal para estimar a bioacessibilidade do mercúrio, metal pesado tóxico, em alimentos presentes na dieta mediterrânica, mais especificamente em espécies de peixe e marisco.

Esta investigação, liderada por Filipe Costa, do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra,  destaca a importância da integração de medidas de bioacessibilidade nas normas de segurança alimentar. A bioacessibilidade traduz-se no que o organismo humano pode absorver, a partir dos alimentos que ingerimos e é um instrumento particularmente relevante para determinar quais os valores máximos de contaminantes que podem ser consumidos ao longo da vida, sem risco para a saúde.

O estudo avaliou a fracção de mercúrio bioacessível em peixes e mariscos, designadamente peixe-espada-preto, atum, espadarte, tubarão azul, salmão e tainha, mexilhão e amêijoa.

A equipa, constituída também por Pedro Coelho e Cláudia Mieiro, da Universidade de Aveiro, recorreu a três formas distintas de extracção in vitro, que «simulam em laboratório o efeito da saliva, suco gástrico e da bílis durante o processo de digestão», explica Filipe Costa, referindo que, no caso do peixe-espada-preto, foram ainda utilizados três diferentes métodos de confecção: cozer, fritar e grelhar, para avaliar o impacto dos processos culinários na bioacessibilidade do mercúrio. De acordo com o investigador “a estimativa da bioacessibilidade do mercúrio no peixe e marisco depende do método aplicado, já que cada método de extração apresentou resultados diferentes, salientando a falta de uma metodologia universal para estimar a bioacessibilidade do mercúrio nessas matrizes”.