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Festival das Artes de Conímbriga vai receber músicos de Odessa

15 de Setembro 2022 Jornal Campeão: Festival das Artes de Conímbriga vai receber músicos de Odessa

Dois músicos solistas e o maestro da Ópera de Odessa, na Ucrânia, vão actuar na 3.ª edição do Musas – Festival das Artes de Conímbriga, em Condeixa-a-Nova, que arranca no sábado (17) e se estende até ao final do mês.
Com uma programação diversificada, o Festival vai realizar-se em três locais: Museu PO.RO.S, ruínas de Conímbriga e Buracas de Casmilo, todos parte do concelho de Condeixa-a-Nova, que organiza o evento em parceria com a Orquestra Clássica do Centro e a colaboração do Museu Monográfico de Conímbriga e do PO.RO.S (Museu Portugal Romano em Sicó).
“Destaco o aspecto solidário de termos cá músicos de Odessa, o que dá uma nota sobre o que pensamos da invasão russa à Ucrânia”, disse ontem (14) o presidente da Câmara de Condeixa-a-Nova, Nuno Moita, na apresentação do festival que decorreu no auditório do Museu Monográfico de Conímbriga, salientando que o Musas “cruza o património musical, arquitectónico, paisagístico e histórico”.
O tenor Vladyslav Gorai, o soprano Alina Tkachuk e o maestro Vyacheslav Chernukho-Volich, da Ópera de Odessa, actuam no dia 25 de Setembro, nas termas do aqueduto, nas ruínas romanas de Conímbriga, num espectáculo intitulado “De Odessa a Conímbriga”.
No dia seguinte, o maestro Vyacheslav Chernukho-Volich volta a estar nas ruínas de Conímbriga, numa sessão sobre “Nós sem os outros”, em que participam Duarte Nuno Vieira, perito forense do Alto-Comissariado para os Direitos Humanos da ONU, e Carlos Sousa Mendes, procurador-geral adjunto no Tribunal Constitucional.
A 30 de Setembro, dia de encerramento do Festival, realiza-se um café-concerto no Museu PO.RO.S. com a Ensemble Orquestra Clássica do Centro, o tenor Vladyslav Gorai e o soprano Alina Tkachuk, com comentários do presidente do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, Mário Velindro.
Recorde-se que o Festival arranca no sábado (17), às 21h00, no Museu PO.RO.S, com um concerto da Orquestra Clássica do Centro, grupo Fado ao Centro e o maestro Sérgio Alapont, prosseguindo no domingo, nas Buracas do Casmilo, às 17h30, com um concerto comentado pela professora Helena Freitas, directora do Parque de Serralves, em que participam a soprano Regina Freire e Fábio Fernandes, na guitarra clássica. No dia 25, pelas 11h00, realiza-se uma visita guiada às ruínas de Conímbriga.
“O Festival tem esta valência de abraçar o território. Conímbriga e Condeixa-a-Nova têm muito para dar à região Centro, não só no património, mas também em paisagem”, realçou Vítor Dias, director do Museu Monográfico de Conímbriga.
Salientando o facto do Festival se inserir nas Jornadas Europeias do Património, a presidente da Orquestra Clássica do Centro frisou que através da música, “uma das linguagens universais, marcamos encontro neste festival das artes, que designámos de Pontes, porque sabemos da importância que a arte e a cultura reflecte aquilo que vivenciamos, particularmente na Europa”.
Por isso, “pareceu-nos a todos ser sobejamente importante ter este ano aqui uma ponte muito especial com o Teatro Nacional de Odessa”, reforça Emília Cabral Martins, aludindo à situação que se vive.
A responsável da Orquestra Clássica do Centro revelou que o tenor Vladyslav Gorai vai aproveitar a sua vinda para se encontrar com a esposa e dois filhos menores, que já não vê desde o início da invasão russa, altura em que abandonaram a Ucrânia.
Começando por lembrar que o Festival teve início em plena pandemia da Covid-19, sempre com nota de sucesso, a directora do Museu PO.RO.S, Ana Valadas, realçou que, sendo o tema deste ano das Jornadas Europeias do Património a sustentabilidade, o Musas “não podia estar mais de acordo a falar de sustentabilidade património material, imaterial e natural”.