O Festival Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz vai realizar a sua 20.ª edição, de 22 de Setembro a 23 de Outubro, a decorrer em vários espaços da cidade de Coimbra como a Casa das Artes Bissaya Barreto, o Convento São Francisco, as antigas instalações da Coimbra Editora, o Museu Nacional Machado de Castro, o Salão Brazil, o Seminário Maior e o Teatro Académico de Gil Vicente. O Festival é co-organizado pela associação Jazz ao Centro Clube e pela Câmara Municipal de Coimbra.
Para José Miguel Pereira, esta 20.ª edição “sintetiza na perfeição o percurso iniciado em 2003, e assenta no compromisso de divulgar, simultaneamente, a riqueza da tradição e os muitos caminhos do futuro, abrindo portas à experimentação e ao cruzamento com outras abordagens musicais”. Um dos principais factores distintivos do Festival é a forte aposta na criação artística, tendo já sido editados mais de duas dezenas de discos gravados no seu âmbito. Igualmente importante é a tentativa de não permanecer somente nos espaços convencionais de apresentação de concertos, promovendo a (re)descoberta de espaços singulares da cidade tanto como o encontro com novas sonoridades”.
Para o Presidente da Câmara, José Manuel Silva, presente na sessão de apresentação do Festival, a longevidade e qualidade artística deste Festival “reflecte bem o trabalho estruturante que a JACC tem desenvolvido dentro e fora de Coimbra, numa atitude de valorização e promoção dos criadores locais, mas também de exploração de redes alargadas no mundo do jazz”.
O Município de Coimbra pretende continuar a apoiar este evento-âncora, que se mostra estratégico para o panorama cultural de Coimbra, contribuindo para que o mesmo tenha uma escala e um impacto cada vez maiores.
8 dias de muita música
Ambrose Akinmusire, Marshall Allen e Maria João são apenas alguns dos nomes que vão actuar este ano. No primeiro dia, 22 de Setembro, vai haver um concerto do brasileiro Rodrigo Brandão com a Sun Ra Arkestra, um “dos grupos incontornáveis da história do jazz”, activo desde a década de 1950 e que se apresenta em Coimbra sob a liderança do americano Marshall Allen, de 98 anos. Em palco vão estar alguns elementos do grupo fundado por Sun Ra e músicos da cena portuguesa do jazz improvisado, como Rodrigo Amado ou João Valinho. Segue-se o músico britânico Alabaster deplume (24), a flautista americana Nicole Mitchell (5 de Outubro) e o trompetista Ambrose Akinmusire (22 de Outubro).
Ainda no plano internacional, o Festival vai ainda acolher concertos de dois artistas “centrais na história do jazz europeu” – o alemão Peter Brotzmann e a britânica Heather Leigh – que vão apresentar-se a solo e em duo, este último concerto a ter lugar na antiga Coimbra Editora, espaço da Baixa de Coimbra, que irá acolher no futuro a sede da tecnológica Critical Software.
O director do JACC destacou, ainda, o concerto de Maria João e Carlos Bica, no Convento São Francisco, a 21 de Outubro, numa primeira apresentação de um disco que irá sair ainda este ano, com a chancela da editora JACC Records. No Jazz ao Centro, haverá ainda espaço para concertos de jovens músicos de jazz de Coimbra, como é o caso da cantora Leonor Arnaut, que estará em residência artística com João Carreiro e João Pereira, e do baterista Diogo Alexandre, que apresenta o seu disco de estreia. O Festival termina no dia 23, com um concerto da banda sinfónica da Filarmónica União Taveirense com o pianista de jazz Mário Laginha.
Futuro promissor
Para José Miguel Pereira, esta edição, que conta com um orçamento de 50 mil euros, representa um aumento face a anos anteriores, esperando ser o início de um “salto dado de forma sustentada” por parte do Festival.
Paulo Pires, chefe de divisão de cultura da Câmara de Coimbra, realçou que “este é um Festival sem preconceitos, com uma visão democrática, lúcida e desempoeirada do jazz em Portugal”, realçando e enaltecendo, ainda, o trabalho do JACC no apoio à criação e ao facto de a sua actividade não se encerrar no território de Coimbra.
Já José Manuel Silva, presidente da Câmara de Coimbra, sublinhou que o Festival “é um evento muito importante” para o município, permitindo “levar o jazz, a música e a cultura a vários espaços da cidade”. Paulo Pires conclui com a ideia de que o Salão Brazil, espaço municipal gerido pelo JACC, está a necessitar de “um investimento”, esperando que “no próximo quadro comunitário seja possível angariar financiamento para tal”.