Emílio Torrão lidera a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, apostando em que esta se assuma como uma área metropolitana no panorama nacional, mas o tema desta conversa versou o concelho de Montemor-o-Velho, a cuja Câmara Municipal preside há nove anos. O balanço desde início de mandato e o que tem para fazer está aqui bem explicado pelo autarca.
Campeão das Províncias [CP] – Como enfrentou este primeiro ano de um novo mandato?
Emílio Torrão [ET] – Este primeiro ano do meu terceiro mandato foi um momento de reorganização, de preparação e reconstrução, com um novo fôlego. Apesar da Covid-19 nos ter obrigado a hierarquizar prioridades, conseguimos, com muito empenho e dedicação, continuar a realizar obra e a trabalhar pelo desenvolvimento do concelho.
Neste ano desenvolvemos uma reprogramação estratégica que contou com um trabalho de reestruturação orgânica dos serviços, que irá garantir um melhor desempenho da Autarquia. Demos um ainda um especial enfoque à conclusão de obras, principalmente e com prioridade às obras financiadas e também às obras a decorrer.
Durante o primeiro ano de mandato, as questões relacionadas com a nossa memória colectiva também estiveram em evidência ao conseguirmos concluir, do ponto de vista material, o espaço que vai acolher, na sede de concelho, o Centro Interpretativo de Montemor-o-Velho.
De um modo geral foi um ano de trabalho permanente, de empenho, de motivação e afinar de estratégias para continuar a sonhar e a transformar o Município de Montemor-o-Velho e a demonstrar que este é um território forte, dinâmico, empreendedor, coeso e sustentável. Um território que se sente.
[CP] – Que pontos essenciais destaca deste ano?
[ET] – Nos últimos anos, o concelho de Montemor-o-Velho tem vivenciado um processo de desenvolvimento que procura conjugar a ancestralidade com a modernidade, sempre com o foco permanente nas pessoas, nos munícipes. Por isso, um dos pontos que destaco este ano é o prosseguir do trabalho em prol dos munícipes do concelho de Montemor-o-Velho, agilizando e melhorando, cada vez mais, a relação com os Serviços Autárquicos. Depois da desmaterialização, da renovação da infraestrutura informática e da aposta na eficiência energética dos Paços do Concelho, este ano promovemos uma reestruturação orgânica que vai elevar e melhorar ainda mais a forma de resposta dos Serviços aos/às munícipes, tornando a administração do Município mais ágil, célere e eficiente.
A conclusão dos Planos de Accão para a Regeneração Urbana (PARU), que vão transformar, definitivamente, a sede de concelho e a sua relação com a frente ribeirinha, é outro aspecto a destacar neste ano.
A reabilitação do antigo edifício da GNR para criação de um espaço de trabalho colaborativo (cowork), a intervenção no Convento dos Anjos e na zona envolvente, bem como a recuperação da Encosta do Castelo preparam-se para dar uma nova vida à sede do concelho.
No que diz respeito à mobilidade, destaco a Variante do Centro Náutico, recentemente inaugurada. Esta é uma obra que nos enche de orgulho e que foi realizada pelos nossos Serviços, comprovando e demonstrando que o investimento feito em maquinaria e formação do pessoal está a produzir frutos para a comunidade. Esta nova variante vem reforçar a mobilidade concelhia, facilitando a acessibilidade entre as freguesias de Santo Varão e de Pereira à sede do concelho.
No regresso às actividades presenciais dos eventos culturais e desportivos, destaco a realização do Festival do Arroz e da Lampreia, o UCI GranFondo World Series Coimbra Region e, agora, a Feira do Ano, eventos que demonstram a capacidade organizativa e de trabalho do Município.
[CP] – Que linha de rumo tem para Montemor-o-Velho?
[ET] – Queremos continuar a afirmar o nosso compromisso com a construção de um concelho cada vez mais desenvolvido, com oportunidades, melhor qualidade de vida, competitivo, vibrante e empreendedor. Somos um concelho que se sente, inclusivo e que valoriza o que é nosso. As nossas gentes, a nossa cultura, a nossa identidade, o nosso território, as nossas empresas.
Para isso, vamos continuar a promover medidas para a manutenção e captação de um tecido empresarial concelhio robusto, apostando na dinamização das áreas de acolhimento empresarial e na sua ampliação, nomeadamente do Parque de Negócios de Montemor-o-Velho e do Parque Logístico e Industrial de Arazede.
A área da sustentabilidade ambiental também está na nossa mira e, por isso, estamos a desenvolver medidas que promovam a descarbonização e a mobilidade suave, com criação de ciclovias e ecovias.
Paralelamente estão em desenvolvimento projectos no âmbito da estratégia local de habitação, de políticas sociais justas e humanistas, de promoção de um envelhecimento saudável, de intergeracionalidade e de apoio à natalidade ou de desenvolvimento do banco de voluntariado, por exemplo.
[CP] – O que gostaria de concretizar até 2025?
[ET] – Muitos dos sonhos que gostaria de concretizar até 2025 já começaram a ganhar forma. Assim, estamos a desenvolver todos os esforços para concretizar a ampliação de pelo menos uma das áreas de acolhimento empresarial do concelho.
A profunda revitalização na sede de concelho, desde a recuperação do Convento dos Anjos até ao projecto de birdwatching no Paul do Taipal, passando pela reabilitação da frente ribeirinha, são alguns dos muitos projectos que estão quase a ver a luz do dia.
Com a recuperação do Convento dos Anjos vamos conseguir dar vida a um outro sonho nosso: a criação de um núcleo museológico municipal/museu, que dê destaque ao importante espólio patrimonial do Município. Quando o museu e o centro interpretativo estiverem a funcionar vai ser possível criar um circuito de visitação que vai envolver toda a vila de Montemor-o-Velho, passando também pelo Castelo, e desenvolver rotas de visitação temáticas.
Junto à intervenção na frente ribeirinha de Montemor-o-Velho, pretendemos reabilitar o “Edifício Letra” e reconvertê-lo num espaço multiusos para acolhimento de programas culturais, desportivos e institucionais do Município. Gostaria ainda que, junto à rotunda do Convento do Anjos, pudéssemos homenagear a singularidade de Fernão Mendes Pinto, com a criação de um momento/conjunto escultórico que apresente o espírito aventureiro desta relevante personalidade montemorense. Este será mais um factor de atractividade de novos púbicos ao território.