A mais importante reunião internacional de Geomorfologia, um ramo da Geografia que estuda as formas da superfície terrestre, vai realizar-se de 12 a 16 de Setembro, tendo como ponto central o Convento de S. Francisco, em Coimbra, e reunindo mais de 550 investigadores de 46 países.
Os trabalhos desenvolvem-se em 25 sessões temáticas de Geomorfologia, directamente aplicadas, por exemplo, à gestão dos riscos geomorfológicos, incêndios florestais e erosão dos solos, bem como ao geopatrimónio, geomorfologia cultural e ao geoturismo.
A Conferência da Associação Internacional de Geomorfólogos (IAG), que se realiza apenas de quatro em quatro anos, decorre nesta 10.ª edição sob a temática geral de “Geomorfologia e Alterações Climáticas”, e é da responsabilidade da Associação Portuguesa de Geomorfólogos, da IAG e da Universidade de Coimbra, através dos seus Departamentos de Geografia e Turismo da Faculdade de Letras e de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia, bem como do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT).
Com tantos especialistas mundiais, a Conferência também tem aspectos mais teóricos, como a História da Geomorfologia, Métodos e Técnicas nos Estudos de Geomorfologia, Cartografia Geomorfológica e Modelação Através de Sistemas de Informação Geográfica (SIG), passando pelos temas mais convencionais que correspondem às diferentes temáticas tratadas em Geomorfologia: Tectónica, Fluvial,Cársica, Marinha e Costeira, Planetária, entre muitas outras.
Para além das sessões em sala destaca-se a conferência inaugural de Monique Fort, Professora emérita da Universidade de Paris – Diderot, sobre “Geomorphology: a key discipline for documenting climate change at different spatio-temporal scales”, assim como a de encerramento, a proferir por José Luís Zêzere, da Universidade de Lisboa, sobre “Geohazards in Portugal: A state of the art”.
Os trabalhos da Conferência incluem um vasto conjunto de excursões, onde os participantes terão oportunidade de conhecer e discutir, do ponto de vista científico, vários aspectos chave da Geomorfologia de Portugal, nomeadamente: Geoparque da Serra da Estrela; Geoparque de Arouca; Litoral (Figueira da Foz – Barra) e região da Bairrada; Montanhas de Xisto do Portugal Central; Regiões do Minho e da Galiza (Espanha); Serra da Estrela; Região de Lisboa; Cabo Verde (Ilhas de Santiago e do Fogo).
Incêndios e relevo
Será também promovido um curso intensivo para jovens investigadores sobre o tema “Mudanças geomorfológicas em paisagens afectadas pelos incêndios florestais: Técnicas de campo e de laboratório para análise da erosão dos solos”.
A Geomorfologia, ciência das formas de relevo e dos processos que as geram, é hoje uma ciência fortemente interdisciplinar e cada vez mais aplicada, sobretudo no que diz respeito ao Ordenamento do Território a diferentes escalas.
Conforme salienta a organização da Conferência, “quando procuramos entender os incêndios florestais que nos assolam no Verão, suas causas, processos e consequências, o conhecimento do relevo e a Geomorfologia são fundamentais”.
“A uma escala de maior pormenor, a construção de infraestruturas ou de simples construções domésticas relaciona-se muito com os processos de evolução do relevo à escala local e em tempos curtos, de modo a evitar deslizamentos, fluxos de terras e outros processos que as comprometam. De igual modo, são importantes os processos de valorização estética e cultural do relevo e das paisagens associadas e por isso, a Serra da Estrela, o Arquipélago dos Açores e a nossa linha de costa são tão valorizadas do ponto de vista geoturístico”, explicam os geomorfologistas.
Os organizadores destacam, também, que Coimbra vai ter, durante cerca de uma semana, “os melhores e mais conhecidos especialistas de geomorfologia”. “Vamos partilhar conhecimentos e vamos, seguramente, sair mais ricos desta discussão, de modo a podermos participar de forma mais habilitada nas discussões sobre a importância das alterações climáticas na evolução do relevo e das paisagens, sobre os diferentes tipos de riscos naturais e ambientais, e sobre a valorização cultural dos territórios, para podermos contribuir para um melhor, mais eficaz e mais sustentável ordenamento do território”, consideram.
Foto de Wesley Tingey no Unsplash