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Ricardo Bandeira

O futuro dos SMTUC passa pelo Metro

28 de Julho 2022

Durante a cerimónia de assinatura do auto de consignação da empreitada de construção da futura linha do Hospital, que será executada no âmbito do projecto “Metro Bus”/”Metro Mondego”, o Presidente da Câmara Municipal de Coimbra disse que a cidade quer afirmar-se como um modelo no sector dos transportes. E que, para tanto, a concretização do “Metro Bus” seria fundamental. Sinceramente, não podia estar mais de acordo com José Manuel Silva.

Foi bom vê-lo reconhecer a importância estratégica para o futuro da mobilidade da cidade e da região de um projecto para cuja construção o Partido Socialista tanto se bateu ao longo de 30 anos. E que, na sequência dessa luta, e muito por causa dela, possa agora José Manuel Silva assistir à conclusão dessas obras em 2024.

Mas, como o mesmo José Manuel Silva disse, “precisamos de mais e queremos mais.” Por isso, e deixando, apenas por agora, a questão da Alta Velocidade de lado, foquemo-nos naquilo que a Câmara Municipal de Coimbra pode fazer internamente, ao nível do município.

O mesmo José Manuel Silva que defende o “Metro Bus” – nisto seguindo (e beneficiando) dos passos dados pelo seu antecessor, Manuel Machado – não é o mesmo José Manuel Silva que procurou (ou procura?) promover a internalização dos SMTUC na orgânica camarária sem qualquer debate, discussão pública ou negociação política – porventura, o Presidente da Câmara Municipal de Coimbra ter-se-á esquecido que tal possibilidade teria que ser aprovada em Assembleia Municipal, onde o Partido Socialista detém maioria. Nisto bem esteve o Vereador do PCP, que em reunião de Câmara apontou para a necessidade deste ponto ser retirado da Ordem de Trabalhos. No que, aliás, teve sucesso.

Contudo, este retirar da Ordem de Trabalhos é um mero adiar da questão: que futuro queremos para os SMTUC? A sociedade civil não pode ser alheia a este debate. E o Partido Socialista nele marcará presença. Pelos trabalhadores, pelos utentes e pela sustentabilidade ambiental.

Para tanto, e contando que estes três valores sejam devidamente acautelados – “trabalhadores”, “utentes” e “sustentabilidade ambiental” – o Partido Socialista deve estar disponível para negociar todas as soluções em cima da mesa: empresarialização dos SMTUC, manter os SMTUC como um serviço municipalizado ou, inclusive integrá-lo na Câmara Municipal. Em qualquer uma destas possíveis soluções, contudo, a linha vermelha para o Partido Socialista deverá ser sempre a mesma: recusar qualquer forma de privatização futura dos SMTUC.

E recusá-la porque, o futuro da mobilidade em Coimbra passa pela “fusão” dos SMTUC com o “Metro Mondego” numa única entidade pública, com participação intermunicipal, que crie uma política integrada de transporte público, com um único passe e uma única rede, da Lousã até aos Hospitais da Cidade.

(*) Advogado