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Ordem dos Médicos do Centro critica falta de planeamento de recursos humanos

18 de Julho 2022 Jornal Campeão: Ordem dos Médicos do Centro critica falta de planeamento de recursos humanos

Além considerar o mapa de vagas para médicos de família desajustado das necessidades de utentes, a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) condena a desvalorização do trabalho das direcções clínicas dos hospitais da Região Centro por parte do Ministério da Saúde.

Segundo Carlos Cortes, presidente da SRCOM, “o mapa, recentemente publicado, é penalizador para as unidades hospitalares da região Centro, para a formação médica pós-graduada e, sobretudo, para os doentes”. Em alguns casos, “a falta de médicos tem um impacto devastador na prestação de cuidados de saúde no serviço de Urgência”, reforça.

Esta análise é praticamente transversal a todos os hospitais da região Centro. No Hospital Distrital da Figueira da Foz (HDFF) “não abriram as vagas solicitadas pela direcção clínica nas especialidades de urologia, ginecologia, psiquiatria, cardiologia e oncologia”. A resposta em oncologia, segundo Carlos Cortes, “corre o risco de encerramento pois depende de médicos prestadores de serviço”. No HDFF são os prestadores de serviço que estão a responder às solicitações nas especialidades de Urologia, Ginecologia e Cardiologia (esta última com apenas dois médicos em horário parcial).

No Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) foram referenciadas para o Ministério da Saúde algumas importantes carências, designadamente nas especialidades de anestesiologia, ortopedia, oftalmologia e pediatria. “A resposta dada pelo Ministério da Saúde para o CHUC foi manifestamente insuficiente. Se sabemos que a falta de médicos de família acaba por ter um forte impacto nos cuidados de saúde hospitalares, nomeadamente nas urgências, estamos a constatar, mais uma vez, que o ministério é incapaz de resolver os problemas e que não cumpre a sua missão ao planear os recursos humanos necessários”.

O Ministério da Saúde ignorou as graves carências de várias especialidades fundamentais para assegurarem os Serviços de Urgência, tais como medicina interna, cirurgia ou ortopedia. Mais uma vez, os hospitais da Guarda, Covilhã e Castelo Branco são fortemente penalizados. Segundo Carlos Cortes “o Ministério da Saúde tem de explicar ao país quais tem sido os critérios adoptados e a lógica subjacente a mais um mapa de vagas desastroso e que não serve os interesses da população”.