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Coro dos Antigos Orfeonistas comemora “40 anos, 40 concertos, 40 personalidades”

22 de Maio 2022 Jornal Campeão: Coro dos Antigos Orfeonistas comemora “40 anos, 40 concertos, 40 personalidades”

O Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra conta, na sua trajectória, com 42 anos de muitas aventuras, parcerias, glórias e amigos que a cidade um dia decidiu unir. Formado exclusivamente por elementos do sexo masculino, o Coro surgiu pela vontade de um grupo do Orfeon Académico de Coimbra, que pretendia seguir o meio coralista, respeitando aquilo que era, e ainda é, a tradição académica e, sobretudo, a música de Coimbra. Primando pelo rigor, a classe e o saber, exigentes com eles próprios, neste Coro não basta apenas querer fazer parte, é preciso “vestir a camisola”, ter vocação e paixão pela música.

 

Cristiana Dias

 

Ao entrar no edifício-sede do Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra (CAO-UC), situado na Rua Bernardim Ribeiro, de imediato nos apercebemos que há uma cultura muito rica e única que define o grupo e os seus 42 anos de história. No hall de entrada, bem como em todas as paredes do edifício, estão espalhados quadros com os vários momentos, prémios, reconhecimentos e membros que fizeram do Coro um dos mais prestigiados da região.

Nascido pela vontade de dezenas de antigos orfeonistas do Orfeon Académico da Universidade de Coimbra (OAC), onde foi buscar as suas raízes institucionais, surge com o objectivo de participar nas comemorações do centenário deste órgão, em 1980. No entanto, apresentou-se, pela primeira vez, em público na noite da Tomada da Bastilha, a 24 de Novembro, nas escadas da Câmara Municipal de Coimbra (CMC). No mês seguinte, na tarde do dia 13, nas escadas da Igreja de Santiago, voltou a actuar, terminando este dia no Teatro Académico de Gil Vicente, no sarau aí realizado então por ocasião das comemorações do centenário do OAC.

Criado ainda com o intuito de promover e difundir o gosto pela arte coral e fomentar iniciativas de carácter filantrópico, o Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra rege-se por valores indiscutíveis, como a lealdade, amizade, fraternidade, tolerância e sobretudo a solidariedade. Ideias que, ao longo de gerações, marcaram a academia de Coimbra.

 

Aposta da nova Direcção

Paulo Cachado Oliveira assumiu a presidência do CAOUC em Outubro do ano transacto. Com a ambição de dar continuidade à história, o dirigente assume a necessidade e a preocupação em fazer o melhor pela associação. “Nós (Direcção) quando tomámos posse aquilo que fizemos naturalmente foi, desde logo, procurar dar sequência à história desta instituição, passado esse tem sido desenvolvido e construído por inúmeros autores, desde os próprios coralistas, aos corpos sociais e maestros que por aqui passaram. Acima de tudo, queremos respeitar e dar continuidade”, afirmou o presidente.

Apesar do mandato ser de dois anos, a Direcção pensa desenvolve-lo gradualmente, definindo os seus objectivos a cada ano. No seu plano de actividades são várias as metas a alcançar. Paulo Oliveira refere que uma das propostas é assegurar o futuro da instituição e isso passa pela sua Escola de Música. “É uma referência ao nível do ensino da música e engloba várias valências, desde aspectos de natureza coral até aos de natureza instrumental, como a viola, piano, guitarra”, sublinha. A escola conta, actualmente, com 60 alunos e reúne as melhores condições para o desenvolvimento de qualidade do seu futuro.

As relações institucionais, nomeadamente o apoio da CMC, a relação com as autarquias e o patrocínio de várias empresas, bem como a colaboração dos sócios são também pontos de referência para tratar ao longo do mandato. Consciente de que os sócios são, em grande parte, o banco financeiro do Coro, a Direcção pretende tornar essa questão “informaticamente mais adequada”, criando formas de apoio e dinamização de actividades com vista a trazer vantagens para os associados. Para além disso, tem em funcionamento a campanha “Traz outro amigo também”, uma iniciativa que tem como objectivo acolher novos coralistas e reforçar o seu número de membros. Todos os sócios têm a responsabilidade de levar apenas um novo elemento.

 

Programa de celebrações

O Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra celebra este ano o 42.º aniversário. Com a situação pandémica que se viveu durante os últimos dois anos, o grupo coral tinha preparado um programa recheado para celebrar os 40 anos de vida, no entanto, isso não foi possível e só agora é que decidiu recuperar o programa, ajustando à natureza que se vive, com várias acções.

“40 anos, 40 concertos, 40 personalidades” é uma iniciativa do Coro, em conjunto com a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC), que pretende homenagear 40 pessoas, todas elas mulheres. “Embora nós sejamos um coro de homens não podemos esquecer aquele que é o papel da mulher, não só na sociedade como em todos os aspectos da vida cultural em todas as suas dimensões. E, portanto, o que queremos fazer é espalhar a nossa cultura sempre com uma referência a uma mulher que em termos locais, nos vários municípios, se tenha distinguido por razões que justifiquem essa mesma distinção”, revela Paulo Oliveira. Os 40 concertos vão decorrer durante os dois anos de mandato e serão espalhados por toda a região. Dentro desta iniciativa, será ainda desenvolvida uma outra acção designada “Cantando plantarei por toda a parte”, que consiste em plantar uma árvore como sinal de alerta para os aspectos relacionados com o meio ambiente.

Na segunda quinzena de Novembro deste ano, o Coro vai realizar a Grande Noite do Fado e da Canção de Coimbra, que irá para a sua sexta edição e decorrerá no Auditório do Convento de São Francisco.

A Direcção pretende também realizar um encontro anual, envolvendo todos os elementos do Coro, em que o objectivo passa por debater vários assuntos relacionados com o grupo, mas também reforçar os laços entre os coralistas.

“Precisamos de sair no nosso ambiente normal em termos de ensaios e irmos para outros momentos, para nos conhecermos melhor e conhecer aquilo que foi a história da academia. Este Coro traz pessoas de todas as áreas de conhecimento, que tiveram as suas vivências na academia e continua a ser um grupo que reúne hoje gente proveniente de outros coros. Ao criarmos este momento anual podemos não só conhecermo-nos melhor como partilhar aquilo que é a nossa antiga e futura história” disse Nuno Brandão, vice-presidente do CAOUC.

Para além destas iniciativas a Direcção pretende ainda realizar, pela primeira vez, um encontro de coros da região. Em articulação com a CMC, o evento está previsto decorrer de 1 a 10 de Outubro e pretende espalhar-se por todo o concelho, levando até às freguesias a música coral.

Neste momento decorre, até Abril de 2023, um ciclo que invoca Adriano Correia de Oliveira para assinalar os 80 anos, se fosse vivo, do artista. O Coro destaca a sua importância sendo que foi um artista que projectou a canção de Coimbra e a música portuguesa nas décadas de 60/70, e é um dos músicos que o grupo canta.

 

Reconhecimento do Papa

Ao longo do seu percurso muitos foram já os prémios e medalhas conquistadas. Desde a atribuição de Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura (1995) à condecoração com o grau de Membro Honorário da Ordem de Mérito pelo Presidente da República Mário Soares (1996), o Coro possui um dos mais importantes troféus de que mais se orgulha, o reconhecimento feito pelo Papa João Paulo II. Após uma actuação do Coro, no Vaticano, em Roma, em 1996, a santidade dirigiu-se ao grupo e declarou: “Dos anjos diz-se que cantam no Céu. Nós andamos a ensaiar na Terra para cantar um dia com eles no Céu. Mas um pouco do Céu já se ouve quando vós cantais”. Paulo Oliveira diz que este é um reconhecimento que “deixa uma marca e uma responsabilidade tremenda. Guardamos esta mensagem religiosamente e faz parte do nosso tesouro artístico”.

Com um repertório bastante eclético, que inclui dezenas de temas, o Coro dos Antigos Orfeonistas já percorreu, praticamente, todos os cantos do mundo. Para este ano está em agenda um encontro internacional de coros, em Barcelona, estando em estudo a eventualidade de uma deslocação à Guiné-Bissau.

 

»» [Reportagem da edição impressa do “Campeão” de 19/05/2022]