Esta sexta-feira, último dia da campanha eleitoral, o movimento “Não às Minas, Sim à Vida!” promove uma concentração, às 17h00, na Praça 8 de Maio, em Coimbra, como acontece noutros locais do país.
“Chegou a hora de, também nas cidades, manifestarmos a nossa oposição aos projectos de mineração que ameaçam um quarto do território português. A contaminação gerada pela mineração não só de lítio, mas também de chumbo, zinco, cobre, ouro, prata, volfrâmio e muitos outros minerais, chegaria das serras às cidades através da água”, referem os promotores.
O movimento declara que sai à rua para “denunciar que, numa extensão de mais de 30 km, entre Celorico da Beira e Nelas, o rio Mondego está sob aviso de prospecção e pesquisa, tanto pelo concurso internacional do Programa de Prospecção e Pesquisa de Lítio (PPP-L), como por pedidos da australiana Fortescue para prospecções de ouro, prata, chumbo, zinco, cobre, lítio, volfrâmio e estanho”.
“Denunciamos, também, que a 35km da cidade de Coimbra foi feito pela Sinergeo, Soluções
Aplicadas em Geologia, Hidrogeologia e Ambiente, em Junho de 2020, um pedido de prospecção e
pesquisa de ouro, prata e cobre. O pedido “São João” esteve em consulta pública entre Outubro e
Dezembro de 2021 e abarca uma área de 11 mil hectares distribuída pelos concelhos de Águeda,
Oliveira de Frades, Vouzela, Tondela e Sever do Vouga” – .adianta o movimento.
Esclarece-se, ainda, que “o limite noroeste da área pedida para prospecção fica a apenas 20km de Aveiro, e o limite sul a 15km do Luso, 35km de Coimbra, e muito próximo das nascentes que dão origem à ribeira de Mortágua. A apenas 1 500 metros deste limite localizam-se as Quedas de Água de Paredes, um dos pontos emblemáticos desta ribeira que desagua no Mondego ao nível da Barragem da Aguieira”.
Segundo o movimento “Não às Minas”, para a mesma área desse pedido “São João”, e prolongando-se pelo interior do distrito de Viseu, “o Estado assinou, em 2017, um contrato com a Medgoldminas Unipessoal, Lda. para prospecção de ouro e outros metais associados numa área de 39 mil hectares”, declarando que “a contaminação da bacia hidrográfica do Mondego seria catastrófica para a região Centro e não pode ser tolerada”.
O “Não às Minas” acrescenta que sai à rua também para “mostrar solidariedade com todos os movimentos anti-mineração e populações ameaçadas por este Plano de Fomento Mineiro que, a cobro do lítio e da ‘transição energética’, pretende abrir as portas à exploração mineira de perto de 30 minerais, de Norte a Sul do nosso território, com graves riscos de contaminação para praticamente todas as bacias hidrográficas”.
Esta sexta-feira, as concentrações decorrem em Coimbra, Oliveira do Hospital, Seia, Lisboa, Porto e Montemor-o-Novo.