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BE: Pureza diz que maiorias absolutas são “porto de abrigo da grande corrupção”

22 de Janeiro 2022 Jornal Campeão: BE: Pureza diz que maiorias absolutas são “porto de abrigo da grande corrupção”

O deputado do BE José Manuel Pureza avisou que “as maiorias absolutas são um porto de abrigo da grande corrupção”, pedindo aos portugueses que se lembrem do antigo ministro Manuel Pinho na hora de votar.

Na noite de sexta-feira, no comício de Coimbra, círculo pelo qual é de novo cabeça-de-lista, José Manuel Pureza subiu ao púlpito do Convento de São Francisco – onde em 2018 foi apresentado o livro “Salvar o SNS” de João Semedo e António Arnaut – depois da eurodeputada Marisa Matias e antes da coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins.

O foco da intervenção de Pureza foi a corrupção, pretendendo o deputado do BE falar da “corrupção a sério, daquela que tem gravata e surripia milhões” e que “a extrema-direita ajuda a manter na sombra”, recordando o caso das barragens que envolve o antigo ministro da Economia de José Sócrates, Manuel Pinho.

“Nestas eleições também vamos decidir de que lado é que estamos face às condições políticas em que alta corrupção se sente como peixe na água”, avisou.

Por isso, no momento de votar, o deputado do BE pediu para que os portugueses se lembrem de Manuel Pinho, “ministro de um Governo de maioria absoluta que o deixou absolutamente livre para beneficiar ilicitamente os grandes e se beneficiar grandemente com isso”.

“As maiorias absolutas são um porto de abrigo da grande corrupção. Nestas eleições nós também vamos decidir se é desse lado que estamos ou se rejeitamos esse lado em nome de uma democracia”, afirmou.

BE promete projecto de lei da eutanásia para primeiro dia da legislatura

No mesmo comício, em Coimbra, a líder Catarina Martins anunciou que o BE vai apresentar no “primeiro dia da próxima legislatura” um projecto de lei para despenalizar a morte medicamente assistida tendo em conta os reparos do Tribunal Constitucional e “desfazendo todas as dúvidas”.

Segundo a líder do BE, “com uma lei muito ponderada”, “com o respeito profundo por quem sofre” e “com a humildade de saber” que é preciso “ouvir e respeitar o desejo último de cada um e de cada uma, a morte assistida será despenalizada em Portugal” e haverá “a lei de João Semedo”.

“Há mais de 25 anos foi lançado o debate em Portugal sobre o direito à morte assistida, o direito a poder morrer com dignidade a quem está num sofrimento que não suporta e que não quer suportar numa situação terminal”, recordou.

Catarina Martins lembrou a “extraordinária campanha” que o antigo coordenador João Semedo fez “em todo o país”, tendo transformado “esse debate, que já tem mais de um quarto de século, em proposta de lei com o José Manuel Pureza”, texto esse que o Parlamento votou.

“Sabemos que temos tido algumas dificuldades no avanço, já as esperávamos. Um tema tão delicado e tão complexo como este é natural que tenha dificuldades, é natural que seja debatido, é natural que cada pormenor seja visto, mas agora já tudo foi visto” – afirmou.

Em 29 de Novembro do ano passado, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, devolveu à Assembleia da República, sem promulgação, o decreto sobre a morte medicamente assistida, envolvendo a eutanásia e o suicídio medicamente assistido.

Ao devolver o diploma, Marcelo Rebelo de Sousa solicitou que seja clarificado “o que parecem ser contradições no diploma quanto a uma das causas do recurso à morte medicamente assistida”.

“O decreto mantém, numa norma, a exigência de ‘doença fatal’ para a permissão de antecipação da morte, que vinha da primeira versão do diploma. Mas, alarga-a, numa outra norma, a ‘doença incurável’ mesmo se não fatal, e, noutra ainda, a ‘doença grave’. O Presidente da República pede que a Assembleia da República clarifique se é exigível ‘doença fatal’, se só ‘incurável’, se apenas ‘grave’” – escreveu.