
Era Sexta-Feira Santa, dia 25 de Março de 1921, uma patrulha da GNR de Penacova intercepta uma rapariga do Roxo, com um cântaro de 20 litros de azeite no caminho para a Carapinheira da Serra, que o iria vender em Coimbra.
Resistindo à apreensão do azeite e à ordem de o mandar para o Posto da GNR, o sino tocou a rebate e o povo saiu à rua em solidariedade com a rapariga e sua família, enfrentando a GNR, que se retirou, voltando mais tarde com reforços.
Dos confrontos que se seguiram, relatados pelo jornal Gazeta de Coimbra, resultaram dois mortos, um dos quais era o meu bisavô, além de vários feridos.
No dia seguinte o Roxo é varrido por forças de cavalaria e infantaria da GNR, que fazem busca casa a casa e prendem 35 pessoas.
***
No dia do centenário deste importante acontecimento da nossa história local, destaca-se a coragem e a solidariedade de um povo com aquela família, perante o exagero das regras e da repressão das forças da ordem, sem esquecer as dificuldades económicas da população, que se via obrigada a desafiar as normas que impediam a comercialização do pouco que tinham, para fora do concelho.
Pela sua importância, penso que esta efeméride teria merecido uma comemoração oficial da parte das nossas autarquias, Câmara e Junta de Freguesia.
***
Da minha parte, fica aqui a minha homenagem e admiração ao povo que lutou, especialmente às vítimas dessa repressão, com especial carinho para aquele que a linha genealógica havia de indicar como meu bisavô.
Notas finais: Esta história foi partilhada pelo CCRDRoxo, em 25/09/2019, de onde retirei as fotografias do Gazeta de Coimbra, sendo alguns dados que hoje aqui reproduzo também retirados dos vários comentários que ali foram deixados por vários conterrâneos. A todos, os meus agradecimentos.