Coimbra  18 de Maio de 2026 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

ABC e Olivais analisam comportamento dos jovens da região antes e depois da pandemia

14 de Dezembro 2020 Jornal Campeão: ABC e Olivais analisam comportamento dos jovens da região antes e depois da pandemia

António Gomes, presidente do Olivais; Luís Santarino, presidente da ABC; e Sofia Pinheiro, psicóloga coordenadora do estudo

 

A Associação de Basquetebol de Coimbra (ABC), em parceria com as suas congéneres de Leiria, Castelo Branco, Guarda e Viseu, e o Olivais Futebol Clube estão a promover um estudo que visa analisar o comportamento dos jovens antes e depois da pandemia, em busca de chegar a soluções para a perda sistemática de atletas nos clubes.

“Este é um trabalho ao qual demos já início mas que não se sabe quando terá fim”, explicou Luís Santarino, presidente da ABC, notando que “são precisas novas políticas públicas sobre o desporto”.

A abandono do desporto por parte de muitos jovens em formação, um pouco por todo o país, a saúde mental dos mesmos, a obesidade e até o impacto da covid nos treinos dos clubes são algumas das premissas deste estudo, que arranca em breve, e que visa encontrar soluções para trazer de volta estes jovens atletas para a prática desportiva.

A investigação, que será coordenada pelas psicólogas Sofia Pinheiro e Laura Lemos, consistirá num questionário, a ser preenchido pelo maior número possível de atletas – no caso, de basquetebol – dos escalões de sub-14 a sub-18, das associações de Basquetebol de Coimbra, Leiria, Viseu, Guarda e Castelo Branco e, também, de todos os clubes que queiram participar.

Os resultados preliminares deverão ser conhecidos no primeiro trimestre de 2021 e a amostra mínima será de cerca de 500 jovens.

Laura Lemos, do recém criado Departamento de Psicologia do Olivais Futebol Clube, revela que “o desafio de estudar os comportamentos dos jovens desportistas antes e depois da pandemia é da maior importância”, até porque, nota “a covid-19 veio reconfigurar a forma como os atletas se relacionam com o desporto”.

“Há uma redução significativa dos jovens que praticam desporto”, afirmou a psicóloga, sublinhando que muito desse abandono pode estar relacionado com as carências económicas das famílias e que este é também “um desafio à saúde mental destes atletas, um indicador bastante importante”.

Sofia Pinheiro salientou, ainda, que o objectivo é saber “o impacto da covid nos atletas da formação de basquetebol, da ABC e de toda a região Centro; a relação entre a pandemia e a performance desportiva; a relação entre a prática desportiva e a ausência da mesma; a saúde mental dos atletas; ou as características sócio-demográficas dos atletas”.

“Pretendemos chegar a resultados que nos ajudem a elaborar uma intervenção adequada, que traga de volta os jovens para a prática desportiva”, frisou Laura Lemos.

O presidente do Olivais, António Gomes, realçou, precisamente, o abandono dos jovens, revelando que “todos os dias” o clube perde mais um atleta da formação. Com este estudo “vamos tentar dar a volta, diagnosticar o que se passa e tentar arranjar soluções. O Olivais está sempre disponível para fazer parte da solução”, notou.

Também a ABC corrobora o crescente número de abandonos desta modalidade em concreto, dizendo que deveriam ter inscritos mais de um milhar de atletas mas que, de momento, só estão na Associação cerca de 550, uma “redução de cerca de 40 por cento”.

“Este estudo é a base do que será o trabalho futuro da ABC e das outras associações do Centro”, afirmou Luís Santarino, apelando “às autarquias para que apoiem os clubes que estão a perder receitas”. “Queremos ajudar no plano nacional e ajudar a criar novas políticas públicas, que sejam rapidamente aplicadas, não só para o basquetebol mas para o desporto em geral”, referiu.

O presidente da ABC frisou, ainda, que “não se está a perceber [a nível governativo] o mal que se está a fazer a uma geração; não há nenhuma data de regresso à normalidade e por isso há que analisar um conjunto enorme de variáveis que temos de trabalhar e estudar, não só por esta geração mas também pelas que vêm a seguir”.

Este estudo permitirá, por isso, “ter um ponto de partida, para o basquetebol e para as outras modalidades”.