O Município de Cantanhede, juntamente com a Associação Dignitude, alargou o Programa ‘Abem: Rede Solidária do Medicamento’, celebrado em 2018, que permite a comparticipação em 100 por cento na aquisição de medicamentos sujeitos a receita médica e comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) a pessoas carenciadas.
Este protocolo resulta de uma consciência da autarquia relativamente à conjuntura actual, pautada pela existência de uma pandemia, com consequências nefastas a diversos níveis, nomeadamente aos níveis da saúde, emprego, económico, entre outros, e com efeitos perversos num tecido populacional que já por si apresenta limitações de recursos socioeconómicos.
Neste sentido, o Município fez aprovar, na terça-feira (07), em reunião de Câmara, a proposta de alargamento do protocolo de 50 para 75 pessoas (um acréscimo de 50 por cento), de modo a poder dar resposta a uma necessidade básica de saúde que tem tido um relevante acréscimo de procura em tempos de pandemia.
À autarquia compete a referenciação dos agregados familiares e contribuir financeiramente com 100 euros anuais por cada beneficiário contratualizado, sendo o gasto excedente suportado pelo Fundo Solidário ‘Abem’.
Por outro lado, à Dignitude cabe a função de emitir um cartão com o qual o beneficiário poderá levantar os medicamentos, sem qualquer custo, nas farmácias da rede ‘Abem’.
Actualmente, são 45 as pessoas que beneficiam deste cartão, e através do qual foi possível adquirir medicamentos no valor de cerca 6 048 euros. Contudo, e face ao contexto social actual, o serviço está a instruir o processo de mais cinco beneficiários e apresentava uma lista de espera de 16 pessoas.
De realçar que actualmente são oito as farmácias do concelho que aderiram ao programa.
Já um outro protocolo, intitulado ‘IIES CuidIn – Apoiar e cuidar do cuidador informal’, foi aprovado e abrange territorialmente o Município de Cantanhede, visando potenciar um aumento da qualidade de vida, quer do cuidador, quer da pessoa cuidada.
Isto é possível através de uma rede integrada de capacitação e qualificação dos cuidadores informais e suportada numa rede de apoio social e interdisciplinar, baseada numa intervenção com fundamentos técnicos, científicos e pedagógicos, geradora de impacto social, capaz de potenciar um aumento da qualidade de vida dos intervenientes.
Considerando a importância do protocolo estabelecido com a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), a ‘CuidIn’ nasceu a partir das competências e recursos da colaboração e parcerias encetadas entre o CEISUC – Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (entidade promotora) e o Município de Cantanhede (investidor social), mobilizando o Biocant – Associação de Transferência de Tecnologia, contando ainda com a participação activa no seu desenvolvimento do CEDCCP – Centro de Estudos e Desenvolvimento em Cuidados Continuados e Paliativos.
Cantanhede possui 35 208 habitantes, dos quais, 9 384 pessoas com 65 ou mais anos, ou seja 26,7 por cento da população municipal, o que equivale a um em cada quatro habitantes, num quantitativo relativo superior à média regional e nacional.
O público-alvo a que se destina a iniciativa é consubstanciado por cuidadores informais que prestam cuidados a pessoas dependentes que residem no Município.
Fruto de um levantamento preliminar realizado pela Câmara define-se um quantitativo de 450 cuidadores informais que serão abrangidos na presente iniciativa.
A autarquia, enquanto investidor social e parceiro do “CuidIn”, apresenta uma proposta de solução inovadora e de empreendedorismo social num programa integrado de promoção e melhoria dos níveis de qualidade de vida e bem-estar dos cuidadores informais, visando a redução à exposição dos níveis de sobrecarga a que tradicionalmente estão expostos, garantindo assim a satisfação no tratar do cuidador informal, com impacto nos doentes, as suas famílias e na comunidade, de forma mais eficaz e eficiente, complementando as respostas sociais formais e tradicionais, inserido em novos modelos de cuidados de saúde.