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Mulheres que cantam têm uma relação mãe-bebé mais saudável

7 de Março 2019

As mulheres que cantam canções de embalar para os seus filhos têm uma relação mãe-bebé mais saudável e apresentam níveis de auto-estima e bem-estar superiores, conclui estudo do BabyLab da Universidade de Coimbra.

O estudo exploratório, que contou com 471 participantes que tinham um bebé com quatro a 40 semanas de idade aquando do inquérito, conclui que as mães que cantam frequentemente, em comparação às que cantam de forma fortuita ou episódica, apresentam uma ligação mãe-bebé “mais forte” e os níveis de auto-estima e bem-estar são também superiores, disse à agência Lusa o autor principal do estudo, o psicólogo e director do BabyLab, Eduardo Sá.

Das participantes, 96 por cento cantam canções de embalar aos seus filhos, sendo que apenas seis por cento cantam frequentemente, cerca de 54 por cento às vezes e 40 por cento de forma muito esporádica, refere o artigo científico, publicado no Journal of Behavioural Science & Psychology.

Dos tipos de canções cantadas, o estudo identifica que o mais comum é as mães cantarem músicas inventadas por elas (69 por cento), músicas tradicionais (68 por cento) e apenas melodias sem letra (59 por cento).

A grande maioria das participantes no estudo (83 por cento) canta para acalmar os bebés ou para os pôr a dormir, sendo que metade ainda usa as canções para brincar com os seus filhos e um quarto enquanto os alimentam.

Segundo o estudo, metade dos bebés, durante as canções de embalar, ficam mais calmos, 12 por cento adormecem e 29 por cento mantêm-se despertos ou surpresos.

Em declarações à Lusa, Eduardo Sá salientou a equipa do BabyLab quis explorar a função e manifestações das canções de embalar, expressões da ligação entre mãe e bebé que estão presentes “nas mais diversas latitudes e culturas”.

Segundo o psicólogo, há muito por explorar na área das canções de embalar, nomeadamente a análise dos ritmos, melodias e conteúdo lírico das músicas usadas pelas mães.

“Estas canções acabam por ser um vínculo que abre as portas para que se aceda à língua materna”, uma espécie de precursor do “português das mães – o maternalês””, notou o psicólogo, referindo que não se surpreendeu com o facto de o hábito de cantar para os bebés se mantenha na actualidade.

Nesse sentido, a equipa pretende aprofundar este campo e abrir uma linha de investigação nesta área, querendo analisar a melodia das canções e o seu ritmo, que normalmente assume um compasso binário, “que, de facto sossega os bebés, ao reproduzir a frequência cardíaca”, sublinha o director do BabyLab.

Outra vertente será o trabalho linguístico em torno das canções de embalar e do “maternalês”, assim como do próprio conteúdo das músicas, em que normalmente são sempre evocados um “bicho papão – uma entidade assustadora sem rosto que pode danificar o bebé” – e um anjo da guarda que assume a posição contrária, acrescenta.

As canções de embalar, frisa Eduardo Sá, mais do que acalmar os bebés, servem para “exorcizar os fantasmas das mães”.

“As canções de embalar usam a música como uma verdadeira Torre de Babel, prévia à língua, que prepara o bebé para assumir, aprender e usar a língua maternal”, conclui o artigo científico.

 

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